A revolução pela Batata !

Meus senhores, é através do que temos que encontraremos caminho. È neste sentido que se poderá perguntar, pode uma batata mudar o mundo?

Qualquer matéria tem o potencial do conhecido e do desconhecido, da fonte, do tempo e do alimento. A dimensão alcançada sobre tudo e qualquer coisa dá-se no encontro entre do que é projectado nelas, a crença e o corpo vivente que alguém lhe dedica, seja na tarefa de o produzir como de o trabalhar, transformar, e transportar até ao seu reduto de final consumo.
È aqui que entra a artista, como mais um elemento no elo de passagem entre uns e outros. Neste caso com um propósito claro e especifico, a promoção desta batata em novos territórios, não só culturais, mas igualmente de mercado de lógica linear de um sistema engavetado em sentidos circusncritos.

Monika Fryčová vive de corpo e alma a sua arte. A entrega desta artista ao seu trabalho é de uma vitalidade rara, desenvolvendo um estado em que arte e vida são a mesma coisa. Tratando-se de apurar uma capacidade de confronto comunicação e autenticidade.

O poder simbólico pode se tornar uma arma, um troféu, uma obra de arte para alem de um alimento, não só do apetite ou da fome, mas da vontade, da confiança da fé e do acto.
Este projecto da Mónika, reconsidera e desvia toda uma lógica de funcionamento da ideia de mercados, sejam eles da arte ou da dita batata, numa transfiguração onde provoca uma nova abordagem sobre esta matéria e se põe á prova juntamente com a sua proposta. Está implícito aqui igualmente uma força que propõe a demolição de uma lógica de fronteiras, e liberdades condicionadas a lógicas desses mesmos mercado reservado apenas aos seus agentes, regras restritas de um padrão vulgarmente reconhecido como viciado.

Um novo sentido está aqui a ser ensaiado em que a velha lógica de valor está a ser posta á prova, tentando reconstruir uma nova ordem, demonstrando para os outros novos caminhos, que poderão ser construídos a partir de outras ordens de valor, como o é, o impulso da confiança, e a força do acreditar, a fé, depositada na alma de qualquer um que se desafie a novos caminhos de corpo e alma.

Nas mão de um verdadeiro artista uma batata pode realmente chegar ao estatuto de obra de arte, não apenas por aquilo que ela é ou vale mas pelo poder evocativo que este é capaz de lhe atribuir, através das suas especificas estratégias, carregando simbolicamente e vitalizando uma comunicação, no conjunto da sua soma… no fundo o seu poder comunicativo. A Monika propõ-se a essa revolução de fazer chegar a batata ao museu de arte contemporânea! Acreditem nela que ela se alimentará disso e o fará realmente acontecer.

O tubérculo tornado alimento ideológico.

Uma diagonal entre o mercado, valor, corpo e obra de arte. A implosão do valor
económico na emersão do poder simbólico, a sacra acção transfronteiriça.

O gesto de representar, eticamente e com confiança e entrega, esta passagem de testemunho em que a mercadoria ou produto de uma terra é acolhida em mãos, carregada para outra cultura, sendo antes de mais uma potencialização energética de valorização de estatuto de um produto da terra que terá que passar de mão em mão até uma ultima boca… uma para-comunicação.




Vasco Costa, artista profissional e teórico, Porto 20 Feb.2014

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